Cabeça de Fósforo.

A síndrome de burnout é definida como processo progressivo de exaustão emocional e perda do interesse profissional,  em virtude de um período prolongado de exposição a
elevados níveis de estresse, decorrentes de situações de trabalho, associado a três fatores multidimensionais: exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional. (Barlem, J. G.T. e colaboradores, 2014).

Esses fatores multidimensionais estão presentes, com toda a certeza na realidade estudantil e na realidade de atuação dos professores, mesmo dentro os professores
melhor remunerados: os professores universitários federais.

Na realidade estudantil, universitária – a que eu tenho contato profissional, a síndrome de burnout guarda uma proximidade com problemas do espectro psicológico que vão desde a não adaptação social, passando pelo isolamento, chegando à depressão e suas terríveis consequências.

Na realidade dos professores, a síndrome de burnout pode se vincular aos mesmos aspectos já mencionados na realidade estudantil, mas  engloba outros, como por exemplo, a identificação com a realidade dos estudantes –  afinal é mais fácil identificar o burnout alheio do que o próprio burnout pessoal.

Em uma análise superficial pode parecer estranho que o professor universitário federal, dentre os professores o melhor remunerado de todos, seja sujeito de uma reduzida realização profissional.

A reduzida realização profissional está associada com a identificação de que os estudantes não conseguem “APREENDER” tanta coisa efetivamente.
A ideia de que se “ENSINA”/”APREENDE” é ilusória.
Os estudantes lembram muito pouca coisa que foi trabalhado/apresentado/”discutido” /”ensinado”/”transmitido” em sala de aula.

Talvez seja porque o ensino/aprendizado não seja “significativo”?
Pode ser e provavelmente seja, mas não é só isso.

Observa-se a ocorrência de descomprometimento generalizado com o ENSINO/APRENDIZAGEM no Ensino de Graduação. Viva a realidade universitária e saberás que assim o é !

Isso  impacta na eficiência do processo “ENSINO/APRENDIZAGEM”, o  que colabora para a síndrome de burnout simultânea de reais “APRENDENTES” e reais “ENSINANTES”.

Também, além desse sentimento de “inépcia” professoral, a reduzida realização profissional para o professor universitário está associada com a realidade do local de trabalho, absurdamente desumanizado e sintético.
Ambiente onde, por exemplo, a história de vida e profissional não contam, nem para a instituição, nem para os colegas, nem para os estudantes, muito menos para o trabalho, nem para o salário!

Do mesmo burnout que os estudantes sofrem, os professores também sofrem.

Uma das válvulas de alívio, para usar um termo de engenharia, envolve o uso de drogas – lícitas e/ou ilícitas.

Isso a curto prazo tem um efeito suavizante enganador. A médio e longo prazo tem um efeito destrutivo. É o efeito da adaptação à dose.

Cada vez a pessoa precisa de mais droga para ter um efeito parecido. Mesmo que seja o álcool, tão aceito pela nossa sociedade atual.
Pode ser comida, pode ser sono, pode ser desinteresse, pode ser álcool, pode ser tristeza,  pode ser trabalho… demais faz muito mal !!!

E assim acabará mais um ano na universidade: todos os sujeitos da educação esgotados.
E o que ficou? O que permaneceu?
Só o sentimento de ser um “fósforo queimado”? Em “burnout”?

Um abraço, para quem leu até aqui, só para quem leu.

 

(*) BARLEM, J.G.T – et. alii – http://www.scielo.br/pdf/rlae/2014nahead/pt_0104-1169-rlae-3254-2498.pdf

 

 

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Uma resposta para Cabeça de Fósforo.

  1. Marina disse:

    Excelente texto.Abraço

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