Quantidade ou Qualidade?

2012. Produção em massa. Mídia de massa. Educação de massa. Qual o efeito disso? Será que o excesso de informação tem efeitos deletérios, da mesma maneira que a falta de informação? O excesso de informação, de acordo com a lei da oferta e da procura, a desvaloriza. Não só no sentido econômico, mas principalmente no sentido “entrópico”. Entropia é um conceito que acompanha o conceito de energia, mas é muito menos conhecido e muito mal aplicado, às vezes. Não quero discorrer sobre Shannon e sua teoria da informação, até porque não tenho capacidade para isso. Quiçá um dia pudesse me dedicar a esse assunto. A entropia da informação funciona na contramão da entropia da termodinâmica. Na termodinâmica a entropia tem conceito vinculado ao conceito de energia e calor, mas em linhas gerais, pode-se dizer que a mesma indica as múltiplas possibilidades probabilísticas de um sistema composto por muitas entidades fundamentais, e tende a um máximo. Hoje em dia, como temos muita informação, vamos no sentido negativo da entropia, para informação. Ou pelo menos tentamos. Queremos manipular lotes e lotes de informação, para organizá-la, agrupá-la e armazená-la. Esforçamo-nos por organizar quando a tendência natural seria a desorganização.

São tantos bits e bytes de informação que nos cercam que fica difícil de saber o que fazer com eles. Claro, quando se quer fazer algo com eles. Filtrar o útil do inútil, saber valorizar o essencial, e principalmente saber guardar o que deve ser guardado, para posterior uso, é muitíssimo difícil, mas essencial. Não precisamos ir muito longe. Há 10 anos, 5 Gbytes era um absurdo de espaço disponível. Hoje as pessoas falam em TERAbytes. Para que? Uma coisa é certa: aumentar o espaço da dispensa da cozinha não melhora o cozinheiro, do mesmo jeito que mais panelas não melhoram a comida! O que fica, quando estamos sem bateria no “notebook”, no “smartphone”, sem energia elétrica, sem rede ou sem calculadora? Ficamos em espera? Em “stand-by”? Esse excesso não é só observado na informação. É observado nas relações humanas. Nunca as pessoas souberam tanto uma das outras e nunca estiveram tão distantes fisicamente. Ter acesso ao conteúdo, ou à ausência dele, oferecido pelos outros, não é a mesma coisa que estar junto. Desmaterializar as relações como simulacro de presença quando as ausências estão presentes. Seria essa a ideia por trás das redes sociais? Ou, talvez, desmaterializar ainda mais as presenças que já não precisam de bytes para serem virtuais?

Passamos a ter um contato hermético com aqueles que sofrem. Acompanhamos muito de longe a  passagem dos outros. E o pior: a passagem de nós mesmos. É a síndrome do excesso. Do excesso de tudo. Do excesso de confiança, de crença na mídia, de crença no poder da máquina da informação. É o Arquimedes moderno, crente que com o Google moverá o mundo. Ou pior: será engenheiro. Ou médico, ou advogado, ou professor, ou qualquer coisa. Será ??? Por melhor que se saiba usar essa alavanca, essa ferramenta, de forma a aprisionar temporariamente a informação, não conseguiremos aprofundar e sedimentar nesse excesso de informação, nesse mar de informação. Quando se vê, o que deveria ser conhecimento construído e desconstruído num ciclo virtuoso, passa a ser mera informação, que vale pouco, por causa do seu excesso. Um dia um estudante me perguntou quantas páginas tinha que ter um determinado trabalho. Respondi com uma pergunta: quantos bytes tem a informação mais importante a respeito do planeta Terra? 1 bit. Esse é o tamanho da resposta para a pergunta: existe vida no planeta Terra? É uma enorme ironia: a informação mais valiosa a respeito de um planeta cabe em um único bit, fração de byte. Efetivamente quantidade nem sempre é importante.

Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s